Anitta foi ao Sem Censura, da TV Brasil, e abriu o jogo sobre algo que carregou por um tempo antes de tornar público: o medo de que o Candomblé prejudicasse sua carreira.
A cantora contou que teve receio real de que assumir a religião afastasse oportunidades profissionais. Não foi falta de fé, foi cálculo de sobrevivência num mercado que não é exatamente famoso pela tolerância.
E tem um detalhe que a maioria não sabia até agora. Aquele período em que ela sumiu das redes e foi “apedrejada” por não se posicionar politicamente? Ela estava em recolhimento religioso, o que ela chama de “fazendo o santo”. Sem acesso ao que circulava lá fora, sem noção da repercussão que o silêncio estava causando.
Ela descreveu assim: “Houve um momento político no Brasil onde me foi cobrado muito posicionamento e eu fui muito apedrejada e atacada por estar em silêncio. E, com essa coisa da internet, um dia, dois, três, quatro, uma semana de silêncio é muito tempo. Só que eu estava sendo apedrejadíssima por esse silêncio.”
Literalmente em retiro espiritual enquanto o Brasil inteiro exigia resposta dela.
O que torna o relato interessante é a camada dupla: ela não estava esquivando, estava dentro de uma prática religiosa que, por definição, pede afastamento do mundo externo. E mesmo assim virou alvo. A cobrança chegou antes da explicação.
Anitta não entrou em detalhes sobre qual foi o momento político específico, mas o contexto do relato deixa claro que foi um período de pressão alta, daqueles em que qualquer silêncio vira posicionamento por omissão aos olhos de quem está do lado de fora.
Assumir o Candomblé publicamente no Brasil, sendo uma artista pop de alcance mainstream, tem um peso que vai além da espiritualidade pessoal. A religião ainda enfrenta preconceito estrutural, e Anitta sabia disso quando hesitou. Falar agora, com calma e no contexto certo, parece uma escolha deliberada.
Uma semana de silêncio que virou escândalo. O que estava acontecendo era um ritual.






