Choveu, passou da meia-noite, e Calvin Harris subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio desta edição como se nada disso fosse problema. Abriu o set com “Sweet Nothing”, a parceria gravada com Florence Welch em 2012, e basicamente avisou: a próxima hora e meia é minha.
A escolha tem lógica. “Sweet Nothing” faz parte do 18 Months, o disco que transformou Adam Richard Wiles, nome real do escocês, em um dos maiores hitmakers do pop eletrônico do planeta. Começa com algo grande e segura o resto com sequência.
E a sequência veio. “Blame”, “Summer”, “Outside”, “Desire”, “Under Control” um atrás do outro, como se alguém tivesse dado play no “The Best Of Calvin Harris” no Spotify e o palco tivesse decidido cooperar com lasers, fogo, fogos e fumacinhas sincronizados. Os telões piscavam com projeções coloridas imitando pista de balada. Em determinado momento, apareceu nas telas a mensagem que resume a filosofia do set: “comer, dormir, rave e repetir”.
Ele mal falou. Não precisava. A produção fez o trabalho de convencer o público debaixo de chuva de que estava na Ilha do Amor, não no Rio de Janeiro às duas da manhã.
Ninguém vai comentar, mas um beat de funk bolha apareceu no meio do set, e o público brasileiro reagiu com o entusiasmo esperado de quem reconhece o sotaque.
“One Kiss“, a parceria com Dua Lipa, estava lá também, e é o tipo de faixa que dispensa apresentação: todo mundo sabe a letra, todo mundo canta, e a chuva de repente parece parte do efeito visual.
Calvin Harris não é o tipo de artista que conquista pela presença de palco, pelo discurso ou pelo carisma de frontman. Conquista pela matemática: hit mais hit mais hit, mais pirotecnia, mais volume. No Rock in Rio desta edição, a conta fechou.
O Palco Mundo virou Ibiza por uma hora e meia. A chuva ficou de enfeite.






