Cara Delevingne contou que foi dormindo na casa de amigas hétero durante a adolescência que começou a entender sua própria sexualidade. O relato saiu numa entrevista recente, onde ela descreveu esse tipo de proximidade física e emocional com outras garotas como o primeiro sinal de algo que ela ainda não tinha nome pra chamar.
A modelo disse que essas noites criavam uma intimidade diferente, e que foi nesse ambiente, aparentemente sem peso nenhum, que ela foi percebendo o que sentia. Nenhuma revelação dramática, nenhum momento de epifania cinematográfica. Só ela, uma cama, uma amiga, e uma sensação que ficou.
Vou falar uma coisa: tem poucas pessoas que conseguem contar esse tipo de história sem transformar em manifesto ou em performance de vulnerabilidade. Cara passou direto pelos dois.
Na mesma conversa, ela falou sobre os bastidores do Victoria’s Secret, período que ela descreve com bem menos romantismo do que as fotos sugeriam, e sobre a relação complicada com a mãe, que aparece no relato como uma das figuras centrais da sua formação, nem vilã nem heroína.
O conjunto da entrevista é daquele tipo que você começa lendo por curiosidade sobre um detalhe e termina sabendo muito mais do que esperava sobre a pessoa. Cara tem esse talento meio involuntário de entregar demais sem parecer que planejou entregar nada.
A frase sobre as amigas hétero já rodou bastante, virou o recorte óbvio, mas o que ela disse sobre a mãe e sobre o Victoria’s Secret é o que realmente sustenta a entrevista inteira. O processo de se descobrir lésbica, na versão dela, não teve um momento definitivo. Foi acumulando em dormitórios, em desfiles, em conversas que ela não conseguia ter em casa.
Cara Delevingne se descobriu onde a maioria das pessoas se descobre: no lugar onde ninguém estava prestando atenção.






