Dolly Parton morreu nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, aos 80 anos. A cantora vinha enfrentando problemas de saúde desde a morte do marido, Carl Dean, em março de 2025, e havia cancelado uma residência de shows em maio deste ano. Segundo assessores, ela passava por tratamento contra um câncer.
Não era surpresa que a saúde tinha piorado. Mas isso não tornou a notícia menos pesada.
Dolly construiu um catálogo com mais de 3 mil músicas, saindo de uma infância pobre no Tennessee para se tornar uma das figuras mais reconhecíveis da cultura americana. Voz inconfundível, perucas loiras, figurinos de outro planeta e uma capacidade rara de ser simultaneamente engraçada, profunda e completamente ela mesma.
O country foi a porta de entrada, mas ela não ficou trancada lá dentro. Passou pelo pop, pelo bluegrass, pela era disco, e nenhum desses mundos conseguiu domesticá-la. Cada fase soava como Dolly porque ela nunca abriu mão do próprio ponto de vista.
“Jolene”, lançada em 1973, virou clássico eterno e ganhou releituras de praticamente todo artista que se preza, incluindo Beyoncé. “I Will Always Love You”, que ela compôs e gravou primeiro, só ficou conhecida pelo mundo inteiro na voz de Whitney Houston. Dolly recebeu os royalties, agradeceu e seguiu em frente. Isso diz muito sobre ela.
Ninguém comentou mas: ela construiu um dos maiores legados da música popular sem nunca ter precisado de polêmica para manter relevância. Virou ícone pop para a nova geração basicamente sendo autêntica antes disso virar estratégia de marketing.
Além dos palcos, Dolly manteve o programa Imagination Library, que distribuiu centenas de milhões de livros para crianças ao redor do mundo. Recusou uma estátua em sua homenagem no Tennessee porque achava que não merecia. Depois aceitou, com jeito.
Nos últimos anos, ficou cada vez mais evidente que a internet havia descoberto Dolly Parton de um jeito novo: os memes carinhosos, as releituras, a galera mais jovem aprendendo que ela havia escrito “I Will Always Love You” e tendo aquele momento de “espera, sério?”. Ela virou referência para quem nunca tinha ouvido um disco de country na vida.
A voz foi embora. O catálogo fica, os livros ficam, e aquela foto dela na capa do Playboy de 1978, com peruca e orelhinhas, vai continuar circulando por décadas. Dolly Parton tinha 80 anos e parecia não ter idade nenhuma.






