João Lucas Brito, estudante de medicina de Pernambuco, publicou fotos do seu ensaio de formatura nas redes sociais. Apareceu de jaleco, com óculos escuros prateados e segurando um livro dos Racionais MC’s. A legenda celebrava ser o primeiro médico da família e terminava com “do povo eu nasci e médico com o povo eu serei”. O que veio depois foram ataques racistas.
O primeiro comentário foi direto: “Saudades de quando favelado não entrava em medicina… Bons tempos.” Quando outros usuários foram na defesa de João, o perfil voltou: “Logo mais esse favelado vai estar matando com um carimbo do CRM na mão. Choro pela qualidade da minha classe.”
O autor dos comentários foi identificado como médico de Brasília.
Vou falar uma coisa: chamar alguém de ameaça à medicina por aparecer de jaleco e livro dos Racionais é uma confissão bem completa do que a pessoa pensa.
João Lucas registrou o caso e a Polícia Civil investiga por injúria praticada em ambiente virtual. A denúncia chamou atenção porque o estudante não apenas expôs as mensagens, mas publicou cada uma delas com o contexto completo, incluindo os ataques que vieram depois da defesa de outras pessoas online.
A legenda original do ensaio já antecipava o que vinha por aí, sem saber. “Não ando só” virou a frase mais irônica da semana.






