Vinte shows. Esse é o número que Ivete Sangalo acumulou no Rock in Rio ao longo de mais de duas décadas, somando as edições de Lisboa, Madri, Los Angeles e Rio de Janeiro. Nenhum outro artista, brasileiro ou estrangeiro, chegou perto disso.
A primeira vez foi em 2004, no Rock in Rio Lisboa, edição inaugural do festival em Portugal. A estreia no Brasil só veio em 2011, quando o nome dela no lineup gerou uma onda de reclamações e rendeu o apelido de “Axé in Rio” para o festival. A resposta de Ivete na época foi direta: os roqueiros tinham estendido um tapete vermelho, e ela se sentiu na obrigação de retribuir no palco.
Retribuiu. Vinte vezes.
O que aconteceu em 2011 virou história de festival. A recepção, que parecia hostil antes de ela subir ao palco, não sobreviveu nem aos primeiros minutos de show. Quem estava lá sabe. Quem não estava, provavelmente já viu o vídeo.
Em 2026, a participação mais recente fecha um ciclo que atravessa quatro países e coloca Ivete numa categoria que simplesmente não tem segundo colocado. O ranking do festival é, nesse caso, uma formalidade. O recorde já estava consolidado há alguns shows atrás, e a marca de 20 só reforça o óbvio.
Literalmente ninguém faz isso.
A trajetória dela no Rock in Rio funciona quase como um espelho da carreira: começou com resistência, virou consenso e agora é instituição. Tem artista que faz uma edição histórica e entra para o imaginário do festival. Ivete fez vinte e continua sendo chamada de volta.
O festival tem rainha, e ela usa axé.






