Na noite de segunda-feira, 27 de julho, Jão reuniu famosos para apresentar “Memórias Póstumas”, seu novo álbum, numa festa de lançamento que já entregou o tom do projeto antes de qualquer música chegar ao público. O primeiro clipe da era, “Catedral”, foi gravado no MASP e dirigido por Pedro Tófani. Que é o namorado de Jão.
Isso não é detalhe de crédito de produção. Colocar o namorado na cadeira de diretor do primeiro videoclipe do álbum é uma escolha que fala mais alto do que qualquer entrevista falaria.
“Memórias Póstumas” já no título avisa que a intimidade vai estar em exibição. E com “Catedral” gravado dentro de um dos museus mais fotografados do Brasil, por alguém que conhece o artista de um lugar que nenhum outro diretor conhece, a primeira imagem da era nova já carrega subtexto suficiente pra fazer o algoritmo trabalhar.
A pergunta que fica não é se o clipe é bom. É o que Pedro Tófani escolheu mostrar de Jão que Jão sozinho não escolheria.
Vou falar uma coisa: expor uma relação através de obra é a forma mais elegante de expor uma relação. Você entrega tudo e ainda chama de arte.
A festa reuniu nomes do meio artístico, o conceito foi apresentado ao vivo, e “Catedral” já existe no mundo. O que vem depois no álbum é o que a internet vai garimpar nos próximos dias procurando qual música é sobre o quê, e sobre quem. Com “Memórias Póstumas”, Jão basicamente entregou um arquivo pessoal com trilha sonora.
Pedro Tófani assinou o clipe. Jão assinou o álbum. Os dois assinaram a intimidade juntos.






