Jennifer Lopez assistiu a “Ainda Estou Aqui” e chorou. Fernanda Torres soube disso e revelou que sentiu exatamente a mesma coisa na primeira vez que viu o próprio filme. Duas atrizes, países diferentes, mesma reação.
A declaração de JLo circulou e chegou até Fernanda, que reagiu em entrevista com uma mistura de gratidão e reconhecimento. Ela disse que a história de Eunice Paiva tem esse efeito: atravessa pessoas que não têm nenhuma ligação pessoal com a ditadura brasileira, com os anos 1970, com nada daquilo. Só com o que é universal ali dentro.
O que Fernanda descreveu é quase técnico: ela conta que, na primeira sessão, foi tomada pelo mesmo tipo de comoção que JLo relatou depois. A atriz disse que entendeu ali o poder do personagem, a capacidade de Eunice de se conectar com qualquer pessoa que já precisou segurar alguma coisa sozinha.
Vou falar uma coisa: tem algo muito específico em duas mulheres de trajetórias completamente diferentes chegando ao mesmo ponto emocional por causa de um filme brasileiro sobre desaparecimento político. Não é o percurso óbvio.
Walter Salles fez um filme que saiu de uma história local e foi parar no choro de Jennifer Lopez numa sessão privada. Fernanda Torres protagonizou esse filme e ainda precisou processar o que havia feito, como espectadora, depois de pronta a performance. Isso é o tipo de coisa que a crítica tenta traduzir em palavras e geralmente não consegue.
A simetria entre as duas ficou bonita demais pra passar em branco. JLo emociona o planeta faz trinta anos e desta vez foi ela quem ficou do outro lado, assistindo. Fernanda Torres, que ganhou Cannes em 1998 com “Central do Brasil” e voltou ao centro das conversas globais com “Ainda Estou Aqui”, recebeu o relato com a elegância de quem sabe exatamente do que a outra está falando.
Eunice Paiva como personagem já provou que funciona em qualquer idioma. Agora tem JLo como prova documental.






