Sem comunicado de assessoria, sem nota oficial prévia, sem aquele post cuidadosamente redigido no Instagram. Leilane Neubarth anunciou a saída da Globo ao vivo, no ar, no encerramento do “Conexão GloboNews” desta terça-feira (7), depois de 47 anos na emissora. Ela mesma disse. No programa. Em tempo real.
A jornalista explicou que a decisão é pessoal e que chegou a hora de um novo ciclo. A Globo confirmou a saída e citou um acordo entre as partes. Nada de demissão, nada de crise relatada publicamente: foi ela quem escolheu o momento e o microfone para dizer adeus.
Quarenta e sete anos é um número que merece um segundo de pausa. Leilane entrou na Globo antes de muita gente que está lendo isso ter nascido. Atravessou redemocratização, Plano Real, Copa do Mundo em casa, pandemia, tudo isso do mesmo lado da bancada. Uma carreira inteira em um único endereço.
O que chama atenção aqui vai além da saída em si. A escolha de fazer o anúncio ao vivo, dentro do próprio programa, tem um peso que qualquer comunicado de segunda-feira de manhã jamais teria. Deu para ver o momento acontecendo. Sem corte, sem edição, sem aquela transição suave que a TV costuma usar quando alguém vai embora.
Vou falar uma coisa: tem algo de muito específico em assistir uma jornalista veterana tomar o controle da própria narrativa de saída dentro da mesma instituição onde passou quase cinco décadas. Não esperou o fim do contrato virar nota de rodapé.
A repercussão nas redes foi imediata, com quem assistiu ao vivo descrevendo o clima do estúdio e o tom de Leilane como sereno, sem drama visível. Prints do momento circularam rapidamente e o nome dela foi para os assuntos mais comentados do X ainda durante a tarde.
A data de saída efetiva ainda não foi confirmada oficialmente. O que está confirmado é que ela fez questão de ser a própria pessoa a dar a notícia, no único lugar onde essa notícia fazia sentido ser dada.
Quarenta e sete anos de Globo e ela escolheu o ao vivo para o capítulo final. Respeito o roteiro.






