Maitê Proença não estava esperando. Depois de quatro décadas na Globo, a demissão chegou sem carta, sem aviso prévio, sem fundo de garantia. E, antes de qualquer comunicado oficial, veio pela imprensa marrom.
Em entrevista ao programa da coluna GENTE, da revista Veja, publicada na segunda-feira (24), a atriz descreveu a saída como “conturbada” e foi direta sobre o que aquilo representou. “Entrei com 20 anos, fui mandada embora com 60. E não tinha carta, não tinha aviso prévio, não tinha fundo de garantia, não tinha nada. Se não fosse uma pessoa com alguma disciplina financeira, poderia ter destruído a vida”, disse ela.
O detalhe que pesa: Maitê conta que, pouco antes, alguém da emissora tinha garantido que ela ficaria. O contrato de ‘Liberdade, Liberdade’ tinha acabado de render um personagem de sucesso, e a mensagem que ela recebeu foi “fica tranquila que você fica”. Aí não ficou.
Ela ainda revelou que foi uma das primeiras artistas dessa leva de dispensas dos profissionais mais antigos. “Depois eu acho que eles foram aprendendo a fazer menos atabalhoadamente. Mas foi muito feio. Foi muito feio”, repetiu, com a ênfase que vem de quem reviveu a cena mais de uma vez na cabeça.
Vou falar uma coisa: quarenta anos de casa e a notícia chegou pela fofoca de jornal. Tem maturidade pra absorver isso, mas não tem protocolo que deixe bonito.
Maitê tentou conversar com pessoas da emissora depois que soube, mas o processo já estava feito. Segundo ela, a Globo foi aprendendo a conduzir as demissões seguintes de forma menos abrupta. O que diz alguma coisa sobre como foi a dela.
A entrevista completa saiu esta semana, e o relato não tem tom de mágoa exibicionista. Ela conta com a frieza de quem processou, chegou do outro lado e entende que a história ficaria bem diferente se a disciplina financeira não existisse. Poucos têm essa disciplina. Ela teve. O crédito é dela.
Quarenta anos dentro de uma casa, a saída sem envelope, e a notícia pelo jornal. Esse é o resumo que a Globo não vai enquadrar no especial de fim de ano.






