Roberto Medina finalmente falou o que muita gente já pensava: sertanejo no Rock in Rio. Em entrevista durante a edição deste ano do festival, o fundador admitiu que o gênero “está no seu radar”, colocando country e sertanejo no mesmo pacote. “Por que não? O sertanejo é o gênero mais tocado no Brasil”, disse ele, com aquele tom de quem está descobrindo o Brasil em 2026.
Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, foi na mesma linha quando uma frequentadora perguntou sobre Jorge e Mateus: “Será que vem sertanejo? Vamos ver.” Tradução livre: a porta está aberta, o tapete ainda não foi estendido.
O festival já tinha dado um aceno ao gênero em 2024, encaixando o sertanejo no Dia Brasil junto com outros estilos musicais. Foi o tipo de presença que dá pra piscar e perder. Especialistas ouvidos sobre o assunto já têm nomes na ponta da língua: Ana Castela, Luan Santana e Panda aparecem entre as sugestões de quem acha que o festival deve ir além de um slot de cortesia.
O argumento é difícil de rebater. O sertanejo domina as playlists, as rádios, os shows de maior público do país há anos. O Rock in Rio, enquanto isso, ficou ignorando o fenômeno musical mais popular do Brasil como se ele fosse uma fase.
Vou falar uma coisa: nenhum outro gênero nacional precisou tanto provar que existia pra ser levado a sério num festival que se diz espelho da música brasileira.
A questão agora é se a abertura dos Medina vai virar um palco dedicado ou mais um feat relutante no Dia Brasil. Porque Ana Castela num horário nobre do Palco Mundo é uma coisa. Ana Castela às 15h numa quinta de abertura é outra conversa completamente diferente.
O maior festival do país ignorando o gênero mais ouvido do país por décadas é um roteiro que só o Rock in Rio conseguiria manter com tanta convicção.






