Anitta invoca Larissa e leva zen e batidão ao mesmo palco em Niterói


No palco do Caminho Niemeyer, em Niterói, no sábado 22 de agosto de 2026, Anitta fez algo que poucos apostariam: abriu um show com clima de retiro espiritual e fechou com Pomba Gira descendo no baile. Funcionou.

A apresentação da Equilibrium tour começou com Anitta chamando a própria Larissa ao palco, aquela versão mais quieta, mais interior, que o álbum duplo “Equilibrium” levou a sério. A estética das primeiras partes do show foi exatamente isso: zen, contemplativamente lenta, quase meditativa. Pra quem esperava o batidão imediato, era um convite a respirar fundo primeiro.

Mas Anitta não sustenta a paz por muito tempo, e isso não é uma crítica. O quarto ato foi a virada: “Você já sabe”, “Choka choka”, “Meia noite” e o funkão de inspiração indígena “Okê” chegaram como se a sala de meditação tivesse se transformado num baile de comunidade sem aviso prévio. A Pomba Gira mencionada na letra de “Meia noite” foi cantada com uma energia que dispensava qualquer explicação teológica.

O que a turnê, apresentada em cinco cidades ao longo de agosto, resolve na prática é uma tensão que o álbum deixava em aberto: dá pra Larissa e Anitta ocuparem o mesmo espaço sem que uma sufoque a outra? A resposta de Niterói foi sim, desde que a ordem seja certa. Primeiro o equilíbrio, depois o caos.

A crítica assistiu via Globoplay e Multishow, mas quem estava no Caminho Niemeyer viveu o show com aquela combinação de ar fluvial e funk pesado que só a geografia do Rio consegue oferecer como cenário.

Niterói recebeu a vizinha carioca com quatro estrelas e meia. Tem gente que vai ao show de Anitta pra ver Anitta. Quem foi a esse saiu tendo conhecido Larissa também, e isso muda o que se carrega pra casa.

Vou falar uma coisa: show que consegue fazer o público ficar quieto num ato e gritar no outro sem perder ninguém pelo caminho é raro. A Equilibrium tour, pelo menos em Niterói, acertou a dose.