A fase pop punk de Demi Lovato está oficialmente no passado. No Rock in Rio deste ano, ela subiu ao palco sem a banda de mulheres que marcou a era de HOLY FVCK, sem guitarra distorcida e sem qualquer traço do som angustiado que virou o cartão de visita dela há alguns anos. No lugar: dançarinas, arranjos fritados e letras libidinosas.
O set começou com a trinca “Fast”, “Kiss” e “Frequency”, pops eletrônicos da nova safra que prepararam o terreno antes de “Heart Attack” chegar e lembrar à galera que ela ainda tem pelo menos um clássico na manga.
Demi abriu com óculos escuros e roupa brilhante, o tipo de figurino que diz “sim, eu mudei de fase” sem precisar dar entrevista. E ela canta ao vivo, o que segue sendo um diferencial real num ciclo de festivais onde playback virou assunto recorrente nos comentários.
A última música do show foi “Cool for the Summer” e Pabllo Vittar entrou no palco pra fazer o dueto. Não foi exatamente uma surpresa discreta: Pabllo está acumulando participações especiais em festivais brasileiros com uma consistência que já virou estratégia de carreira. Mas funcionou. A combinação de uma pop star americana flertando com batidas dançantes e a drag mais famosa do país no mesmo microfone tem a energia certa pra fechar set.
Vale notar: era a décima primeira vinda de Demi ao Brasil e a segunda apresentação dela no Rock in Rio. A familiaridade aparece. Ela não chegou testando o público, chegou entregando o que decidiu ser agora.
O pivô sonoro é real e ela não tentou disfarçar. Sair do pop punk raivoso com banda toda feminina e chegar num pop mainstream de batida pesada e letras levinha é uma guinada de identidade, não só de playlist. Demi Lovato de óculos escuros e dançarinas é literalmente uma pessoa diferente da que gritava no microfone em 2022.
Pabllo saiu do palco, o festival continuou e ficou a pergunta que ninguém ainda respondeu: o próximo álbum vai soar como essa noite ou como o que veio antes? O show deu pistas. Só não deu resposta.






