Em 2001, o Foo Fighters entrou no palco do Rock in Rio para abrir o show do R.E.M. Boa banda, claro, mas aquele era o tipo de escalação que não aparece no pôster principal. Onze anos depois, 75 mil pessoas foram ao Lollapalooza de 2012 especificamente para vê-los. A curva não foi gradual, foi uma rampa.
Agora, na sétima visita ao Brasil, Dave Grohl e companhia fecham a primeira noite do Rock in Rio desta edição como headliners. O mesmo festival onde estrearam em posição de suporte virou o lugar onde eles mandam no horário nobre.
A relação da banda com o Brasil acumulou história suficiente pra encher um documentário. No Rock in Rio 2001, Grohl abraçou Cássia Eller no palco, um daqueles momentos que quem estava lá conta até hoje. Em outra passagem, Joan Jett apareceu para um feat que ninguém esperava. E nos shows ao longo dos anos, pedidos de casamento viraram quase um ritual: o público descobriu que a combinação de “Everlong” ao vivo e um anel no bolso tem uma taxa de aprovação bem alta.
Falando em “Everlong”: todas as visitas ao Brasil tiveram pelo menos uma coisa em comum. A música fechou a noite. Sempre. Vira uma tradição no nível de coisa que você não questiona, só espera.
A passagem pelo The Town em 2023 teve um peso diferente. Foi a primeira vez que a banda voltou ao Brasil depois da morte do baterista Taylor Hawkins, em 2022, e o show incluiu uma homenagem com “Aurora”. Ninguém saiu sem choro.
A trajetória completa conta sete capítulos: Rock in Rio 2001, Lollapalooza 2012, turnê solo em 2015, turnê com o Queens of the Stone Age em 2018, Rock in Rio 2019, The Town 2023 e agora esta edição do Rock in Rio. Cada uma com pelo menos um momento que alguém ainda guarda no celular ou na memória.
Literalmente nenhuma outra banda fez esse arco no Rock in Rio de forma tão legível: abre pra outro, some por uma década, volta enchendo estádio, vira clássico vivo.
O Foo Fighters não conquistou o Brasil de uma vez. Conquistou visita por visita, até o Brasil parar de imaginar o festival sem eles.






