Bob Mackie morreu na segunda-feira (14 de setembro de 2026) em Palm Springs, Califórnia, vítima de pneumonia, aos 87 anos. O comunicado nas redes dele foi direto: “Ele viveu seus 87 anos intensamente, realizando seu sonho de ser estilista e figurinista.” Difícil discordar.
Se você não sabe o nome, sabe o trabalho. Era Mackie que vestia Cher com transparências que deixavam a TV americana em pânico. Era Mackie que colocava Carol Burnett em figurinos que pareciam ao mesmo tempo comédia e haute couture. Era Mackie que entendeu, antes de qualquer um, que roupa de palco precisa ser grande porque o palco é grande.
O cara acumulou nove Emmy, um Tony e três indicações ao Oscar, incluindo uma por “Funny Lady”, onde Barbra Streisand usou um vestido transparente com mangas morcego que você provavelmente já viu em alguma foto de revista antiga sem saber quem assinou. Agora você sabe.
A lista de clientes lê como um casting impossível: Madonna, Diana Ross, Sharon Stone, Julia Louis-Dreyfus, Pink, Streisand de novo. Mas o detalhe que ninguém comenta é que ele também foi o nome por trás do vestido que Marilyn Monroe usou quando cantou “Parabéns a Você” para JFK, aquela peça bordada com miçangas que parecia pintada diretamente na pele. Mackie tinha idealizado o conceito ainda como colaborador de design.
O que ele fazia não era só glamour, era escândalo calculado. Transparência no lugar certo, bordado pesado onde ninguém esperava, silhueta que parecia impossível de existir até aparecer no palco. Cada peça era uma afirmação da mulher que a usava, não do estilista que a criou. Por isso as divas voltavam.
Em 2002, entrou para o Hall da Fama da Academia de Artes e Ciências da Televisão. A indústria passou décadas tentando imitar o estilo e nunca chegou lá. Há uma razão para o apelido ter durado cinquenta anos.
Ninguém vai mais vestir Cher do mesmo jeito.






