Yayoi Kusama morre aos 97 anos e deixa o mundo coberto de bolinhas

Yayoi Kusama morre aos 97 anos e deixa o mundo coberto de bolinhas

Yayoi Kusama morreu em 14 de agosto, em um hospital em Tóquio, aos 97 anos. O anúncio foi feito pelo site oficial da artista, sem divulgar a causa da morte. O comunicado confirmou o que qualquer pessoa que acompanhava sua trajetória já sabia: ela estava pintando até o fim.

“Ela continuou a pintar até seus últimos dias, sem nunca largar o pincel”, diz o comunicado publicado por sua equipe.

Kusama é daquelas figuras que você precisa de dois segundos pra reconhecer e uma vida inteira pra entender. As bolinhas, as abóboras gigantes cobertas de pontos, as instalações com espelhos infinitos que viraram fila obrigatória em museu de todos os continentes. Tudo saído de alucinações que ela teve desde criança, luzes piscando, flores com rosto, pontos se multiplicando no campo de visão.

Ela não tratou isso como problema. Transformou em método.

Aos 27 anos, frustrada com o ambiente sufocante da sociedade japonesa dos anos 1950, embarcou pra Nova York e rapidamente virou referência na cena de vanguarda da cidade. Pinturas obsessivas, performances, manifestos contra a guerra, ficção, poesia. Kusama fazia de tudo e colocava bolinhas em tudo.

Ninguém comentou, mas ela influenciou a estética do Instagram antes de o Instagram existir. Aquelas salas de espelhos com luzes coloridas que você viu no feed de todo mundo entre 2017 e 2019? Kusama estava fazendo isso nos anos 1960.

No Brasil, ela tem galeria permanente no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, e a exposição “Obsessão Infinita” reuniu mais de 500 mil pessoas só em São Paulo. Não é mal pra uma artista que passou décadas sendo subestimada pela crítica mais formal.

O comunicado oficial encerrou com uma frase que resume bem a proposta de vida dela: “Seguiu a explorar o amor sem fim e a alma eterna.” Kusama vivia num lar de cuidados médicos em Tóquio há décadas e ia de lá pro ateliê todos os dias trabalhar. Por escolha.

Aos 97 anos, com uma obra que cobre museus, parques, feiras de arte e o imaginário visual da última geração, Yayoi Kusama largou o pincel uma única vez.