Marilyn Monroe morreu há mais de seis décadas e o caso ainda não fecha. Encontrada sem vida na madrugada de 4 para 5 de agosto de 1962, na sua casa em Brentwood, Los Angeles, a atriz tinha 36 anos e um frasco vazio de Nembutal na cabeceira. O laudo oficial concluiu: overdose de barbitúricos, provável suicídio. Fim.
Só que ninguém comprou completamente essa versão.
Os primeiros problemas aparecem na cena do crime. O corpo foi encontrado pela funcionária Eunice Murray por volta da meia-noite, mas a polícia só foi acionada horas depois. O dr. Ralph Greenson, psiquiatra de Marilyn, também chegou antes das autoridades. O que aconteceu nesse intervalo nunca foi explicado de forma satisfatória por nenhum dos dois.
Tem detalhe que incomoda até hoje: o estômago de Marilyn não tinha resíduos dos comprimidos que teriam causado a morte. Para a quantidade de barbitúrico detectada no sangue, ela teria engolido dezenas de pílulas. Sem rastro nenhum no sistema digestivo. Os investigadores da época registraram a inconsistência e seguiram em frente mesmo assim.
O nome dos Kennedy aparece nos bastidores porque aparece. O caso nunca teve prova documental de envolvimento, mas a proximidade de Marilyn com John e Robert Kennedy era conhecida, e pelo menos uma testemunha afirmou ter visto um carro do governo na vizinhança naquela noite. Eunice Murray, anos depois, mudou a versão sobre o horário em que percebeu que algo estava errado. Mudou mais de uma vez.
A CIA manteve arquivos sobre Marilyn. O FBI também. Documentos liberados via Lei de Liberdade de Informação mostram vigilância ativa sobre ela nos anos finais. O motivo oficial era investigação de possíveis ligações comunistas, o que, no contexto da Guerra Fria, era pretexto suficiente para monitorar qualquer pessoa que frequentasse a mesma sala que um Kennedy.
O que alimenta o mistério não é só o que falta. É o que está lá e não encaixa. A cena foi alterada antes da perícia. Testemunhas deram declarações contraditórias. O inquérito foi reaberto brevemente em 1982 pelo Ministério Público de Los Angeles e fechado de novo sem conclusão diferente.
Ninguém está dizendo que foi assassinato. O que é documentado é que a investigação original teve lacunas sérias, e que as pessoas que poderiam tê-las preenchido foram, uma a uma, ficando em silêncio.
No centenário de nascimento dela, o arquivo ainda tem gavetas que nunca foram abertas ao público. A morte de Marilyn Monroe é o cold case mais famoso do século XX, e a polícia de Los Angeles nunca precisou se desconfortar muito com isso.
O frasco estava vazio. A explicação, nunca esteve completa.






