Ashley Callingbull pediu pra baixar a música, ignorou o diretor do concurso ao lado dela e tomou o microfone. Não era exatamente o script da noite.
A cena aconteceu na última sexta-feira (8) durante a etapa final do Miss Universo Canadá deste ano. Callingbull era uma das apresentadoras, e o momento era exatamente o de anunciar as 20 semifinalistas. Em vez disso, ela parou tudo pra denunciar o que classificou como apropriação cultural de elementos tradicionais indígenas nas fantasias de duas candidatas.
“Eu queria reconhecer uma coisa”, ela começou. Lembrou que foi a primeira mulher indígena das Primeiras Nações a ganhar o título de Miss Universo Canadá, em 2024. “Foi uma honra tão grande. Um dos maiores sonhos da minha vida era vir aqui e realizar isso.” E então veio o ponto da vez.
Callingbull é Plains Cree da Nação Enoch Cree. Ou seja, não estava falando de fora. Segundo a CBC Indigenous, ela interrompeu o diretor Sonny Borelli no meio da contagem e levou o público a ver, ao vivo, duas candidatas serem diretamente apontadas pelo uso indevido de símbolos culturais que não são delas.
As duas candidatas envolvidas se desculparam depois. O tipo de desculpa que vem quando não tem mais saída, mas veio.
Vou falar uma coisa: ela podia ter deixado passar, segurado o roteiro, sorrido pra câmera. Escolheu não fazer isso na frente do público, com o diretor ao lado esperando ela terminar logo. Tem ex-miss que sai com a coroa. Callingbull saiu com a cena do ano.
A repercussão no X foi imediata. Gente achando que foi corajoso, gente achando que foi constrangedor, e uma quantidade considerável de pessoas procurando o vídeo pra ver a cara do Sonny Borelli esperando o microfone de volta.
O concurso continuou. As semifinalistas foram anunciadas. Mas o que vai ficar dessa edição não é o nome de quem ganhou.






