Assistente social diz que desconfiou de mulher de 37 anos que fingia ser criança


Uma assistente social de Belo Horizonte revelou que desconfiava há tempos de uma mulher de 37 anos que se passava por criança em acolhimentos institucionais da cidade. O problema: sem provas documentais, não havia como agir. A suspeita era chamada de “Karol” e circulava por espaços destinados a menores.

O depoimento veio à tona depois que o caso ganhou repercussão nacional. A profissional descreveu episódios que, na época, pareciam estranhos mas não configuravam prova suficiente pra acionar qualquer protocolo. Comportamentos fora do padrão, reações que não batiam com a idade declarada, detalhes que ficavam na memória mas não no papel.

Vou falar uma coisa: quando uma profissional treinada pra identificar situações de risco diz que “algo estava errado”, é porque estava muito errado.

O que o caso escancarou é menos sobre a mulher em si e mais sobre os buracos nos sistemas de verificação. Uma pessoa adulta conseguiu ser acolhida, atendida e tratada como criança por tempo suficiente pra mais de uma pessoa desconfiar sem conseguir provar nada. Isso não é falha de um indivíduo. É lacuna de processo.

A assistente social relatou um episódio específico que a fez levantar a sobrancelha na época, mas que foi tratado como inconclusivo pelos canais formais. O detalhe chocante, segundo ela própria, ficou guardado até o caso vir a público e confirmar o que ela já sentia.

Casos assim costumam ter uma fila de gente que “já sabia” só depois que a prova aparece. Aqui, ao menos, tem uma profissional que documentou a suspeita antes, mesmo sem conseguir fechar o cerco.

Karol enganou laudos, triagens e protocolos numa cidade inteira. A assistente social ficou com a sensação de quem viu o trem passar e não conseguiu puxar o freio de emergência a tempo.