Uma enfermeira do Alasca contratada para ser barriga de aluguel se recusou a interromper a gestação depois que os pais biológicos pediram o aborto. O motivo: o bebê foi diagnosticado com cardiopatia congênita. Agora, os três lados estão na Justiça e ninguém está ganhando facilmente.
McKenna West, mãe solteira de duas crianças, foi contratada pela agência Worldwide Surrogacy para gestar o filho de um casal. Ela entrou no processo depois que uma amiga a encorajou e, segundo ela mesma, viu na gestação de substituição uma forma de renda extra sem precisar se afastar dos próprios filhos. Até aí, roteiro padrão.
O diagnóstico de cardiopatia congênita mudou tudo. Os pais biológicos, que moram na Califórnia, pediram a interrupção da gravidez. West, com 35 semanas de gestação, se recusou. Mais que isso: ela quer garantir que a criança seja operada logo após o nascimento.
O que era um contrato virou uma disputa de três frentes sobre quem decide o que acontece com um bebê que ainda não nasceu.
A Suprema Corte do Alasca decidiu recentemente que um tribunal californiano, onde os pais residem, pode definir o local do parto, previsto para 2 de setembro, e qual equipe médica vai atender a criança. West recorreu dessa decisão. O casal, por sua vez, tenta manter os direitos parentais via Justiça. Ou seja: três partes, três agendas, um bebê no meio.
Vou falar uma coisa: o contrato que parecia resolver tudo é exatamente o documento que ninguém está conseguindo usar a seu favor agora.
O caso levanta uma questão que os advogados de barriga de aluguel provavelmente não ensaiam no pitch de vendas: o que acontece quando o bebê que foi encomendado chega com uma condição que os contratantes não esperavam? Quem decide pela criança? A gestante, que carrega e quer lutar pelo nascimento? Os pais biológicos, que têm os direitos parentais? Ou um tribunal que está a milhares de quilômetros do Alasca?
A reportagem foi publicada pela Live Action News na sexta-feira, 31. O caso ainda está em aberto, com West recorrendo das decisões enquanto a data do parto se aproxima.
Um bebê com cardiopatia, uma gestante que não vai ceder e dois pais que queriam algo diferente. A Justiça americana agora tem até setembro para descobrir quem manda nessa história.






