Michael Wolff é o tipo de pessoa que você não quer por perto quando tem segredos. O jornalista expôs uma série de cartas pessoais enviadas pela assessora Natalie Harp a Donald Trump, e o conteúdo não era exatamente corporativo.
Nas mensagens, Harp chamava Trump de seu “Guardião e Protetor” e escrevia frases como “você é tudo o que importa para mim”. Em outras cartas, ela pedia desculpas por sentir ciúmes de outras mulheres que passavam tempo com ele e chegou a dizer que ele teria o direito de insultá-la, porque ninguém a conheceria melhor do que ele.
Isso é linguagem de RH, pessoal.
Wolff descreveu os textos como reflexo de uma “angústia romântica” e os classificou como “inapropriados”. A Casa Branca respondeu defendendo o profissionalismo de Harp e sua lealdade ao presidente. A palavra “lealdade” ali fez um trabalho pesado.
Natalie Harp entrou para o círculo de Trump em 2019, depois de agradecê-lo publicamente pela lei chamada “Right to Try”, voltada a pacientes em tratamentos experimentais. Desde então, foi construindo um vínculo que, segundo Wolff, transcendeu bastante as atribuições do cargo.
O que chama atenção não é só o conteúdo das cartas. É o tom. Tem uma deferência que vai além da admiração política, e a internet já está relendo cada entrevista que Harp deu ao lado do presidente com esse novo contexto na cabeça.
A administração pode enquadrar isso como lealdade exemplar. Wolff enquadrou como outra coisa. E agora que as cartas são públicas, cada leitor está tirando a própria conclusão, o que provavelmente é o pior cenário possível para a Casa Branca.
Assessora que chama o chefe de “Guardião e Protetor” em carta pessoal geralmente não aparece no manual de boas práticas de gestão.






