Emily Ratajkowski escreveu um ensaio pro The Cut e entregou mais do que qualquer entrevista de divã conseguiria. Em texto publicado recentemente, ela detalhou como o nascimento do filho Sylvester, em 2021, acelerou o fim do casamento com o produtor Sebastian Bear-McClard, e o que veio depois: uma fase de sexo casual que ela mesma descreveu como “virar uma supervilã”.
A lógica dela faz sentido, aliás. Emily conta que a maternidade funcionou como uma espécie de lente de aumento: o que já não estava bem no casamento ficou impossível de ignorar. O filho chegou, as ilusões foram embora juntas. Separação veio em 2022, confirmada com aquela frieza clínica de quem já tinha tomado a decisão faz tempo.
O que a internet não estava preparada era pra parte seguinte. Em vez de post de empoderamento vago ou história de “me encontrei fazendo ioga”, Emily foi direta: ela saiu por aí, ficou com quem quis, viveu a fase que quis viver. E a reação foi, convenhamos, previsível. Mulher bonita que larga marido e assume que teve uma vida sexual depois do divórcio vira automaticamente a antagonista da história.
Daí o “supervilã”. Ela usa o termo com consciência total do absurdo. Literalmente a mesma narrativa que pra um homem seria “ele se reergueu depois do divórcio” virou escândalo quando foi ela. Os comentários foram na linha de “que mãe é essa” e afins.
Vale lembrar que Sebastian Bear-McClard acumulou acusações de assédio sexual em 2022, no meio de todo esse período, o que coloca a separação num contexto um pouco maior do que “ela queria sair por aí”. Emily não entrou fundo nisso no ensaio, mas a presença do detalhe é difícil de ignorar.
O que fica do texto é uma mulher descrevendo, com precisão irritante, como a sociedade trata mães que se separam e assumem que têm desejo. O ensaio não tenta absolvição. Ela não está pedindo perdão pela supervilania.
Quem diria que a garota da capa ia ser a mais honesta da sala.






