O Twitter guarda certa semelhança com um bar – e não é só porque também servem quibes.

As pessoas pronunciam-se sobre frivolidades em voz alta para que todos na mesa às ouçam. Quem quiser ouvir o que você está falando pode simplesmente prestar atenção ou até mesmo puxar uma cadeira pra perto e fazer intervenções na conversa alheia. Como em qualquer bar civilizado, no Twitter só se senta à sua mesa quem tiver o seu consentimento – ainda que vez ou outra uns chatos fiquem berrando do lado de fora para fazer as pessoas ouvirem na marra.

Quando a noite começa a bombar, vai chegando uma galera pra botecagem e juntam-se várias mesas lado a lado, em debates animados sobre as últimas novidades, fofoquinhas e outras especulações existenciais. Em bares mais animados as pessoas vão sentando-se nas mesas umas das outras, para trocar uma idéia rápida e interagir com o maior número possível de pessoas interessantes.

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Às vezes a gente usa o nome do interlocutor, só para que fique claro que o que vai ser dito se direciona àquela pessoa específica. Muitas vezes, a conversa começa entre duas pessoas e acaba esquentando justamente porque outros a estão ouvindo e o papo vai ficando cada vez mais animado, com várias novas colocações.

Quando alguém fala uma coisa legal e todos à sua volta caem na gargalhada, logo alguns vão se fazendo de mensageiros e repetindo a frase engraçada em outras rodas, certos do sucesso do discurso, previamente testado. E assim vão ficando com fama de serem pessoas sagazes, que sempre fazem boas observações sobre tudo.

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O problema todo é quando, noite adentro, o álcool começa a fazer efeito e os ânimos vão ficando mais exaltados. Algumas pessoas começam a desabafar seus problemas de forma mais acintosa, dando nomes, apontando culpados e interpelando grosseiramente desconhecidos. Quando menos se espera, estão ofendendo-se umas às outras no maior bate-boca, que dura mais alguns dias de repercussão – até o próximo babado novo acontecer.

Mas apesar das cenas de vergonha alheia, a rede social mais badalada do momento chegou para ficar, e se propaga junto com a aptidão natural do brasileiro para a bagunça. Pois enquanto os outros serviços em maioria colocam os indivíduos em vitrines de boutiques virtuais, a dinâmica do Twitter os embaralha em uma grande botecagem aberta ao público.

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E também por isso todo o constrangimento quando alguma celebridade badalada adentra o recinto chamando atenção de todos pra falar merda.

 

 

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