Quem melhor pra contar a história de Fernanda Montenegro do que alguém que cresceu dentro dela? O neto dela, Pedro Waddington, assina a direção de “Fernanda”, documentário sobre a trajetória da atriz de 96 anos que estreia no Festival do Rio 2026, entre 1 e 11 de outubro.
O filme entra na Seleção Hors Concours Première Brasil da 28ª edição do festival, posição que sinaliza prestígio sem disputar prêmio. Traduzindo: vai passar longe da concorrência e direto para o debate sobre o que é uma carreira de verdade.
A proposta é acompanhar Fernanda Montenegro em trabalhos recentes no cinema e no teatro e, a partir daí, revisitar o passado para mostrar como foi construída a trajetória de uma das principais atrizes brasileiras. Oito décadas de carreira precisam de um ponto de entrada, e parece que Pedro escolheu o presente como porta.
Pedro Waddington não é estreante. Ele dirigiu a docussérie “Anitta: Made in Honório” para a Netflix e o especial de Natal “Gilda, Lúcia e o Bode” para a Globo, além de episódios da série “Sob Pressão”. O currículo já tinha peso antes de virar o neto que filmou a avó.
Ninguém comentou isso ainda, mas tem algo interessante na equação: Pedro fez nome documentando a Anitta por dentro, e agora aplica o mesmo olhar de proximidade na mulher que provavelmente é a maior referência artística da sua vida. O acesso que um estranho nunca teria virou o principal ativo do filme.
Para Fernanda, o documentário chega num momento em que o reconhecimento já está consolidado. Candidata ao Oscar em 1999 por “Central do Brasil”, presença constante no teatro e no cinema, aos 96 anos ainda em cartaz. O documentário não descobre ninguém. Registra alguém que o Brasil já decidiu que importa.
Tem algo de inevitável e ao mesmo tempo muito específico nisso tudo. Neto dirige avó, intimidade vira método, festival de cinema vira palco de estreia. “Fernanda” ainda não chegou às telas, mas o nome já carrega o peso inteiro.






