O Primavera Sound Barcelona desta edição foi, resumindo, uma lista de desejos que a gente não pode riscar. Gorillaz, Little Simz, Wet Leg, Geese e companhia subiram ao palco em Barcelona enquanto o Brasil torcia o pescoço pelas redes tentando achar stream decente. O festival existe há quase 25 anos e segue com a fama de ser descolado sem esforço, aquele tipo de evento que não precisa gritar pra provar que é bom.
Os Gorillaz entregaram uma das apresentações mais comentadas do evento. Damon Albarn no palco com o projeto virtual de sempre, mas a execução ao vivo tem uma camada que o álbum não carrega. Little Simz, que vem acumulando elogios desde o Mercury Prize de 2022, também foi destaque: rap denso, performance física, o tipo de show que faz você rever o setlist depois só pra confirmar que aconteceu mesmo. Geese, banda nova-iorquina que mistura post-punk com progressivo de um jeito que não devia funcionar mas funciona, fechou o ciclo de “quem é esse povo e por que não estão no Brasil”.
Vai dizer que não bate um certo cansaço ver esses nomes passando pela Europa, pela América do Norte, talvez pela Argentina, e o Brasil ficando na fila educadamente. Não é falta de público, não é falta de infraestrutura de festival. É a ordem geográfica cruel de quem passa por onde primeiro.
O Primavera Sound tem edição em São Paulo desde que a versão brasileira foi anunciada anos atrás, mas o cardápio entre as duas edições raramente é idêntico. A versão espanhola continua sendo a matriz, e a matriz desta vez ficou com os melhores pratos.
Wet Leg também aparece entre os destaques. A dupla britânica virou fenômeno de crítica rapidamente e o ao vivo confirma o hype: guitarra no limite do caótico, vocal que parece não estar se esforçando mas está. É o tipo de banda que chega ao Brasil depois de dois álbuns e uma turnê mundial, quando todo mundo já formou opinião.
A lista completa dos cinco que merecem embarcar pra cá inclui nomes que já têm público brasileiro construído, o que torna a ausência mais irritante do que misteriosa. Não falta motivo. Falta data.
O Primavera Sound Barcelona 2026 terminou com a sensação de que foi uma edição acima da média, e isso é dizer bastante pra um festival que já tinha régua alta. A questão agora é quanto tempo até esses artistas aparecerem num lineup por aqui com o mesmo nível de urgência. O histórico sugere que a espera vai render pelo menos uns três posts de “por que fulano ainda não veio ao Brasil”.
Alguém já está digitando o e-mail pra produtora.






