Christa Pike sobreviveu à injeção letal em 30 de setembro, na prisão de Riverbend, no Tennessee, e o que veio depois ficou registrado em áudio. Gravações dos serviços de emergência, divulgadas pela Associated Press nesta terça-feira (13), mostram que as equipes levaram vários minutos para confirmar se o chamado era real antes de providenciar qualquer atendimento médico.
Nos áudios, um profissional de emergência relata ter recebido uma solicitação de ambulância para a prisão. A informação inicial era de que a execução havia sido realizada, mas a mulher não havia morrido e estava com dificuldade para respirar. O problema: os atendentes não sabiam se deviam acreditar nisso.
O próprio atendente explica, durante a ligação, que a equipe tentava verificar se o chamado era verdadeiro e decidir entre enviar uma ambulância ou solicitar reforço policial. Em algum momento, a possibilidade de trote foi levantada abertamente. Literalmente, alguém quase mandou a ligação de volta porque achou que era pegadinha.
O resultado foi uma demora visível no atendimento a uma pessoa que, segundo as informações iniciais que a equipe tinha em mãos, estava viva e sem conseguir respirar depois de uma tentativa de execução do Estado.
Christa Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer em 1995 e se tornou a primeira mulher condenada à morte no Tennessee desde a retomada das execuções capitais no estado. A tentativa de execução em setembro já tinha gerado repercussão quando ela saiu do hospital andando, dias depois, com a defesa apontando preocupações médicas sobre o que o procedimento teria causado.
Os áudios agora dão uma camada nova ao episódio. O caos nas ligações não é especulação: está gravado, com as hesitações, as dúvidas e o tempo passando enquanto alguém esperava do outro lado. O Estado tentou executar uma pessoa, errou, e a equipe de emergência precisou de minutos para decidir se a ligação merecia atenção.
A execução falhou. O protocolo de emergência também.






