Joelma cantava “mesa de quijá” e ninguém reclamou por 24 anos

Joelma cantava "mesa de quijá" e ninguém reclamou por 24 anos

Por 24 anos, Joelma cantou uma palavra que não existe. E todo mundo ficou bem com isso.

A música é “Príncipe Encantado”, dos primeiros anos da Banda Calypso, e o trecho em questão fala em “um copo sobre a mesa de quijá”. A internet passou as últimas semanas perguntando o que diabos é quijá, e a resposta é simples: não é nada. A palavra não existe.

O que deveria estar ali é “Ouija”, aquele tabuleiro de sessão espírita que aparece em filme de terror. A criadora de conteúdo Gabo Panteleão, com 4,6 milhões de seguidores no Instagram, publicou um vídeo perguntando “o que ‘boba’ é quijá, hein, Joelma?” e passou de 1,5 milhão de visualizações. Os comentários foram na linha de “sempre cantei ‘mesa de cristal'” e “essa confusão deixou a música ainda mais perfeita”.

Beto Caju, um dos compositores, veio a público explicar o erro. Em 2002, ele tinha acabado de assistir ao filme “Jogo dos Espíritos” no Shopping Recife, estava com a referência fresca na cabeça, e na hora de escrever a letra grafou errado. Escreveu “quijá” no lugar de “Ouija” e ninguém pegou. Nem na gravação, nem na produção, nem nos 24 anos que se seguiram.

Vinte e quatro anos de Joelma invocando espíritos com grafia errada e o Brasil só foi notar agora.

O detalhe mais absurdo é que a música funcionou perfeitamente assim. As pessoas cantaram “mesa de quijá” sem questionar, algumas completavam com “mesa de cristal” por conta própria, e tudo fluía. Literalmente ninguém parou o baile pra perguntar o que era quijá.

A Banda Calypso tinha esse poder. A lógica era outra.