Mal o resultado das eleições de 25 de outubro de 2026 foi confirmado, Lula já estava no microfone avisando o que vem por aí. No primeiro discurso após a reeleição para o quarto mandato, ele disse que teve que vencer “a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais” e prometeu regulá-las.
“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, declarou, num auditório do hotel InterContinental, em São Paulo, por volta das 22h20. Logo depois foi para a Paulista, onde a festa já estava acontecendo.
O recado foi direto: as big techs que faturam bilhões no Brasil sem pagar imposto e ainda tentam “direcionar o resultado eleitoral” estão na mira. “Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, disse.
Vou falar uma coisa: tem uma ironia considerável num presidente que agradeceu ao deputado André Janones pela campanha de apoio conduzida nas próprias redes sociais, prometendo regulá-las já no discurso da vitória. A ferramenta que ajudou a ganhar agora vai receber a conta.
Lula também avisou que o novo governo vai ampliar a comunicação digital e que não vai “ficar permitido ser interpretado por jornalista com má fé.” Prometeu ainda mais participação popular nas decisões.
Ele foi reeleito para o quarto mandato, já tendo governado o país de 2003 a 2010 e de 2023 a 2026, e destacou ser o único presidente sem diploma a conseguir quatro eleições. A vitória veio com mais de 64 milhões de votos.
Regular plataformas é uma promessa fácil de fazer no microfone às 22h de uma noite de vitória. O que vai acontecer quando o algoritmo for chamado pra conversar é a parte que ainda não está no discurso.






