Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha, foi preso neste domingo 9 em Natal, no Rio Grande do Norte. O motivo: ele deu uma entrevista à TV Record falando sobre a tentativa de feminicídio que cometeu contra a ativista, violando uma ordem judicial que o proibia exatamente disso.
A medida cautelar havia sido imposta pelo 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza em 2024. Entre as proibições estava justamente a de divulgar informações sobre o processo, o nome ou a imagem das vítimas. Ele descumpriu tudo de uma vez, ao vivo, em rede nacional.
O Ministério Público do Ceará pediu a prisão preventiva depois que trechos da entrevista e conteúdos de divulgação já circulavam nas redes. A Justiça acolheu o pedido no sábado 8, durante o plantão judicial, e ainda determinou a retirada imediata do ar de qualquer material relacionado à entrevista, incluindo a reportagem e o que já havia sido divulgado como promoção.
Ninguém comentou tanto, mas vale repetir: o homem tentou matar a ex-mulher, saiu com medidas cautelares que o proibiam de abrir a boca sobre o caso, e escolheu abrir a boca sobre o caso na televisão. É um nível de cálculo que desafia a compreensão.
Marco Antônio é colombiano e ficou conhecido no Brasil pela história que deu origem à Lei Maria da Penha, sancionada em 2006. Ele tentou matar a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes duas vezes: numa das tentativas, ela ficou paraplégica. Ele cumpriu pena e foi solto. A lei que leva o nome dela é hoje uma das principais referências no combate à violência doméstica no país.
A Record ainda não se pronunciou oficialmente sobre a determinação judicial de retirar o conteúdo do ar.
Tem uma ironia concreta aqui que nenhum roteirista escreveria: o homem foi preso não pelo crime em si, mas por falar sobre ele.






