Sessenta anos de carreira comemorados, ciclo encerrado, e Maria Bethânia já tem material novo. No sábado, 22 de agosto, ela abriu o show no Festival de Inverno da Bahia com uma composição inédita chamada “Luz e clarão”, um samba que chegou carregado de espiritualidade e funcionou como ponto de partida para um roteiro de 24 músicas.
O festival aconteceu no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, em Vitória da Conquista, e Bethânia foi uma das principais atrações da edição de 2026. A estreia marca o show que ela vai carregar pelos festivais ao longo deste semestre.
O roteiro mistura herança e novidade. Da bagagem anterior vieram “Baioque” (Chico Buarque, 1972), “Olha” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975), “O lado quente do ser” (Marina Lima e Antonio Cicero, 1980), “Samba do grande amor” (Chico Buarque, 1983) e “Vera Cruz” (Xande de Pilares e Paulo César Feital, 2025), o grande samba que ela já havia apresentado no espetáculo dos 60 anos de carreira, estreado em setembro do ano passado. A banda também veio junto.
Entre as surpresas do roteiro, “Eterno em mim”, de 1985, composição de Caetano Veloso feita especificamente para o show dos 20 anos de carreira de Bethânia. Uma música que a maioria das pessoas nunca viu ao vivo.
Vou falar uma coisa: tem algo meio assustador em alguém com seis décadas de estrada escolher abrir um show novo com uma faixa que o público nunca ouviu. A maioria dos artistas nessa fase joga no seguro. Bethânia abriu com o desconhecido.
“Luz e clarão” ainda não tem registro oficial disponível, então por enquanto o que existe é o relato de quem estava lá. Mas a decisão de colocar a inédita na abertura, e não escondida no meio do setlist, já diz alguma coisa sobre onde ela quer chegar com esse repertório.
Sessenta anos depois da estreia, a música nova veio primeiro.






