Maria Bethânia aos 80: a cantora que ainda faz o palco trabalhar pra ela

Maria Bethânia aos 80: a cantora que ainda faz o palco trabalhar pra ela

Maria Bethânia completou 80 anos com um currículo que poucas pessoas no planeta conseguem apresentar sem parecer exagero: 61 anos de carreira fonográfica, algo em torno de 50 álbuns e uma reputação que sobreviveu a cada virada de gosto musical das últimas seis décadas.

Nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, ela estreou nos palcos em 1965, no mesmo ano em que o Brasil ainda tentava entender o que era a Tropicália. Bethânia entendeu antes de todo mundo. Ficou, se reinventou quando quis e não mudou nada quando não quis.

A discografia dela é um daqueles assuntos raros na internet onde o consenso aparece rápido. Álbuns como Álibi, Maria e Memória da Pele continuam circulando em playlists de gente que nem tinha nascido quando foram lançados. Isso não é nostalgia, é catálogo funcionando.

O que mais chama atenção, literalmente, é a presença. Bethânia não canta parada. Ela declama, ela anda pelo palco como se o espaço fosse dela por herança, ela olha pra plateia de um jeito que faz a pessoa sentir que foi chamada individualmente. Tem cantora com cinco vezes mais seguidores que não consegue isso num ginásio lotado.

O show Abraçar e Agradecer, estreado em 2015 para celebrar 50 anos de carreira, já deu pistas do que os 80 anos representam: uma artista que celebra sem se desculpar pelo tamanho que ocupa. Nenhum pedido de permissão, nenhuma tentativa de parecer acessível demais.

Aos 80, Maria Bethânia é um dos poucos casos em que a frase “lenda viva” não soa como exagero de assessoria de imprensa. Soa como descrição de cargo.

Oitenta anos, 61 de carreira e nenhum sinal de que o palco vai parar de obedecer tão cedo.