Titãs aprovam versão de Anitta em “Bichos Escrotos” e elogiam regravação para o filme de Meirelles

Titãs aprovam versão de Anitta em "Bichos Escrotos" e elogiam regravação para o filme de Meirelles

A surpresa da geração Z ao descobrir que “Bichos Escrotos” não é música da Anitta rendeu mais do que memes. Rendeu uma resposta dos próprios Titãs.

A faixa entrou no radar das redes depois que Anitta gravou uma versão para o filme “Corrida dos Bichos“, de Fernando Meirelles. A versão viralizou, e junto com ela veio a descoberta coletiva: a música é de 1986, do álbum “Cabeça Dinossauro”, composta por Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Nando Reis. Ninguém mandou aviso.

Sergio Britto foi ao Instagram falar sobre isso, e o tom foi de elogio. “A gente fez há muitos anos, antes mesmo de gravar o primeiro disco dos Titãs. É uma ode, um elogio, a tudo o que é mal visto pela sociedade, pelo status quo”, escreveu ele, antes de traçar um paralelo que não era óbvio.

“Curiosamente, vejo pontos de contato com o que se faz com o funk, porque é uma linguagem muito direta, mas é surpreendente e anárquica. Então acho que essa versão que fizeram agora para o filme do Meirelles, apesar de ser radicalmente diferente da nossa, tem ali uma leitura pertinente daquilo que a gente quis dizer.”

Ele ainda chamou Anitta de artista incrível que está sempre se reinventando. Literalmente o oposto de reclamação.

O que torna o episódio interessante é o caminho inverso que a música fez: saiu de um álbum de rock punk dos anos 80, dormiu por décadas no catálogo dos Titãs, e chegou à geração Z pela voz de Anitta num filme de animação. A banda que escreveu uma ode ao que é mal visto pela sociedade viu a música ser redescoberta exatamente por quem não tinha a menor ideia da origem.

Vai dizer que não tem algo poético nisso.

A internet, claro, foi na direção contrária à filosofia da música: ficou julgando quem não sabia que a letra era dos Titãs. O que é, convenhamos, um comportamento bastante escrotos.