Anitta gravou uma versão de “Bichos Escrotos”, clássico dos Titãs lançado em junho de 1986, para a trilha sonora de “Corrida dos Bichos”, filme do Prime Video. A faixa virou meme rapidinho, e aí começou o problema.
Centenas de perfis, a maioria de jovens, passaram a apontar a música como um lançamento original da cantora. A internet, claro, não deixou passar. Em questão de horas, a seção de comentários virou um tribunal informal com sentença já na primeira instância.
De um lado, os que descobriram a música agora e acharam tudo ótimo. Do outro, uma legião furiosa invocando “educação”, “cultura brasileira” e a expressão que nunca envelhece bem: “essa geração está perdida”. Frase que, curiosamente, toda geração já ouviu sobre si mesma em algum momento.
O detalhe irônico da história toda: os próprios Titãs não pareceram nem um pouco incomodados. Pelo contrário, comemoraram que a música voltou a circular. Enquanto os guardiões da cultura rock estavam de cabelo em pé nos comentários, a banda que escreveu a letra estava satisfeita com o alcance.
Vou falar uma coisa: tem algo levemente constrangedor em ver adultos mais indignados com o desconhecimento alheio do que o próprio autor da obra.
“Bichos Escrotos” foi escrita como uma crítica à hipocrisia da sociedade. Uma música sobre comportamentos que as pessoas fingem não ter. Em 2026, ela virou o campo de batalha perfeito para exatamente esse tipo de comportamento.
A geração Z descobriu uma música nova. A geração anterior descobriu que ainda tem fôlego pra dar sermão. E os Titãs ficaram com o streaming.
Quem saiu ganhando aqui é uma pergunta que cada um responde conforme o quanto precisa ter razão na internet.






