Viih Tube estreou “As Patroas”, seu reality show no YouTube, com uma premissa simples: seus próprios funcionários disputando um prêmio de mais de R$ 20 mil. O primeiro episódio saiu na última semana e a dinâmica entre os participantes gerou bastante comentário, só que não exatamente sobre quem vai ganhar.
O debate que tomou os comentários foi outro: será que o público ainda engole dinâmica armada em 2026?
A pergunta não é nova, mas o contexto dá um peso diferente. Viih Tube e Eliezer construíram uma marca em cima de conteúdo familiar, cotidiano, com a cara de “isso aqui é real”. Colocar funcionários reais numa disputa com prêmio real parece um reforço dessa proposta. O problema é que a audiência de internet chegou em 2026 com o detector de roteiro ligado no máximo.
Especialistas ouvidos pelo G1 usaram uma palavra que resume bem o clima: cansaço. O público estaria saturado de conteúdo que se vende como espontâneo mas claramente passou por uma reunião de pauta antes. E aí fica a questão: quando o prêmio é de verdade e os funcionários são de verdade, onde começa a encenação?
Vou falar uma coisa, essa tensão entre autenticidade e entretenimento nunca foi tão difícil de equilibrar quanto agora. Antes, bastava parecer real. Hoje, o comentário mais curtido na publicação de um criador de conteúdo provavelmente é alguém apontando o que foi editado, o que foi combinado, o que teve segundo take.
No caso de “As Patroas”, a aposta de Viih Tube é que o formato resiste a esse escrutínio porque as apostas são concretas: dinheiro, emprego real, relação real com a patroa. Se a dinâmica funcionar, vira série. Se o público sentir cheiro de roteiro, os comentários vão ser mais interessantes que o episódio.
Reality com funcionário real disputando salário extra é uma ideia que ou envelhece muito bem ou vira print de exemplo em palestra sobre o que não fazer.






