Rogério Marinho diz que não sabia da fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA

Rogério Marinho diz que não sabia da fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro à presidência, disse à imprensa nesta terça-feira que ficou surpreso com a fuga do ex-candidato para os Estados Unidos. Segundo Marinho, os dois conversaram na segunda-feira sobre a necessidade de Flávio assumir um papel de liderança na oposição, com os 60 milhões de votos que teve nas eleições.

No dia seguinte, Marinho recebeu uma mensagem de texto de Flávio dizendo que ia “dar um tempo” e depois voltaria a falar com aliados. Foi o aviso de despedida.

Flávio teria deixado o Brasil com a esposa e as filhas em um embarque cujos detalhes ainda são desconhecidos, menos de 48 horas após a derrota nas eleições. A fuga foi reportada pela Reuters e confirmada por um interlocutor do governo norte-americano. Nenhuma autoridade do Brasil ou dos EUA se manifestou oficialmente até agora.

O coordenador de campanha que não sabia que o candidato ia fugir é basicamente o resumo desta história toda.

O contexto ajuda a entender o tamanho do problema. Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado na segunda-feira que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal e ficasse proibido de deixar o país. Flávio postou um vídeo negando qualquer plano de saída e prometeu cumprir a ordem. Os passaportes não foram entregues e a PF os cancelou diretamente. Flávio já tinha ido.

O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) confirmou a chegada aos EUA com uma versão própria: “Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes!” Ninguém do entorno desmentiu.

Vai dizer que a mensagem de “dar um tempo” não era um sinal.

Flávio é investigado pela PF em diferentes inquéritos por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. O mandato de senador pelo Rio de Janeiro termina em fevereiro de 2027, quando ele perderá o foro privilegiado no STF. O timing do sumiço, portanto, tem data de vencimento bem clara.

Marinho declarou tudo isso após uma reunião com parlamentares e líderes do PL em Brasília. O partido que se reuniu para discutir os próximos passos descobriu, no meio do caminho, que o protagonista já estava em outro país.