Depois das eleições de 2026, começaram a circular nas redes listas identificando empresas, comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores para boicote econômico. O critério? O voto. Quem apoiou o lado errado, segundo quem fez a lista, vira alvo.
A reação não demorou. A Abrasel, que representa bares e restaurantes, foi uma das primeiras entidades a se manifestar oficialmente, lembrando que campanhas do tipo podem gerar responsabilização civil e judicial para quem divulga, e que os funcionários dos estabelecimentos listados também são afetados, não só os donos.
A nota da Abrasel foi direta: “A divulgação dessas listas pode configurar ato ilícito e sujeitar os responsáveis a ações na Justiça.” Ao mesmo tempo, a entidade fez questão de lembrar que nenhum estabelecimento pode se recusar a atender alguém por posição política. A contradição é boa: quem defende liberdade de voto às vezes esquece a liberdade de servir uma cerveja pra quem votou diferente.
A OAB de Tocantins publicou nota de repúdio no mesmo sentido, alertando que divergências eleitorais não justificam perseguição econômica ou exposição pública. O Ministério Público do Trabalho foi além e entrou com ação civil pública cobrando da Meta, dona do Instagram, Facebook e Threads, que retire do ar publicações que incentivam empregadores a vasculhar o histórico político dos funcionários e demiti-los com base no voto.
O MPT descreveu o que encontrou nas plataformas: “Publicações de empresários, influenciadores e até parlamentares orientam vasculhar as redes sociais de trabalhadores para descobrir em quem votaram e, no caso de a opção ser diferente do patrão, mandá-los embora.”
Os números dão a dimensão. O procurador Maurício de Mello informou que o MPT recebeu 1.140 denúncias de assédio eleitoral apenas nos três dias após o segundo turno, de um total de 3.080 registradas desde o início da campanha. Ou seja: boa parte das ocorrências explodiu exatamente quando o resultado foi definido.
Ninguém comentou muito, mas compartilhar uma lista dessas pode sair mais caro do que parece. Ação civil pública já está em andamento, responsabilização civil é uma possibilidade concreta e o MPT claramente não está no clima de esperar as plataformas resolverem por conta própria.
Democracia é o sistema onde você vota em quem quiser. Aparentemente, a parte dois ainda está sendo combinada.






