MPT aciona Justiça e quer que Meta apague posts de assédio eleitoral em 24 horas

MPT aciona Justiça e quer que Meta apague posts de assédio eleitoral em 24 horas

O Ministério Público do Trabalho entrou na Justiça nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, pedindo que a Meta retire em até 24 horas todas as publicações que incentivem empregadores a vigiar, expor, deixar de contratar ou demitir funcionários por causa do voto. O pedido vale para Instagram, Facebook e Threads.

Junto com a remoção urgente, o MPT pede que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região condene a empresa a pagar R$ 50 milhões por danos morais coletivos. Sete procuradores assinam a ação.

O contexto: as denúncias de assédio eleitoral dispararam mais de 75% após o segundo turno das eleições gerais, realizado no dia 26 de outubro de 2026. O total chegou a 1.459 casos registrados em todo o país, com São Paulo liderando com 620 ocorrências, seguido de Minas Gerais (351), Paraná (338), Rio de Janeiro (252), Rio Grande do Sul (223) e Santa Catarina (165).

O MPT aponta que, após a reeleição do presidente Lula, perfis nas redes passaram a orientar patrões a vasculhar o histórico de postagens de funcionários para descobrir em quem votaram. Os que votaram diferente da preferência do empregador seriam demitidos. Só quatro publicações de um único perfil com 3,8 milhões de seguidores somaram mais de 2 milhões de curtidas.

A ação também aponta que os próprios sistemas de recomendação da Meta, como a aba Explorar e os Reels sugeridos, amplificaram ativamente esse conteúdo por ser o tipo de post que mais gera engajamento. A empresa, consultada, informou que não comentaria o assunto.

Urgência é a palavra que os procuradores usam na ação. A primeira audiência foi agendada para 29 de março de 2027.

Vinte e quatro horas de prazo para remover. Cinco meses para a primeira audiência. O algoritmo agradece a paciência.