Black Pantera e Nervosa incendeiam Rock in Rio 2026 contra racismo e escala 6×1

Black Pantera e Nervosa incendeiam Rock in Rio 2026 contra racismo e escala 6x1

No fim da tarde de sábado, 6 de setembro de 2026, o Palco Sunset do Rock in Rio virou tribuna. Black Pantera e Nervosa dividiram o palco e entregaram um dos momentos mais carregados da edição: parte show, parte manifesto, parte catarse coletiva.

O trio mineiro de Uberaba abriu com “Hórus”, faixa nova que abre com “Em nome do pai, do filho e do preto santo”. Emendou direto com “Padrão É o Caralho”, cujo refrão não deixa dúvida: “Jesus não era branco, não era ariano. A vida começou no continente africano”. Alguém no público acendeu um sinalizador. O palco ficou laranja.

De lá de cima, o vocalista Charles Gama foi na linha mais direta possível: “Fogo nos racistas. Queimem todos eles”. Fãs em roda de headbang ergueram os sinalizadores. Ninguém na área do Sunset fingiu não ter ouvido.

A banda chegou aquecida pelo “Continental”, álbum lançado em 21 de agosto, que mistura rock pesado com rap, soul e referências afro-brasileiras. O disco já traz esse discurso embutido na estrutura, não só nas letras. A parceria com Nervosa no palco reforçou o tom: duas bandas brasileiras de metal que vivem à margem do mainstream e fizeram do Rock in Rio um espaço que dificilmente esperavam ocupar assim.

Vou falar uma coisa: festival de entretenimento virar ponto de convergência entre sincretismo religioso, antirracismo e debate sobre escala de trabalho é um movimento que a grade do evento não necessariamente planejou, mas aconteceu assim mesmo.

A pauta da escala 6×1 entrou na voz de Charles durante o show, amarrando o discurso racial ao trabalhista. O argumento implícito é simples: as mesmas estruturas. O público que estava ali entendeu rápido.

Rock in Rio 2026 já vai ter imagens mais produzidas, shows mais caros e headliners com mais streams. Mas sinalizador aceso no meio de “Fogo nos Racistas” é o tipo de frame que não precisa de filtro.