Ed Sheeran cancela abertura de Macklemore na turnê e vira alvo de críticas

Ed Sheeran cancela abertura de Macklemore na turnê e vira alvo de críticas

Ed Sheeran passou décadas construindo a imagem de cara sem inimigos, o músico que volta de trem do Glastonbury mesmo sendo headliner, que doou o próprio guarda-roupa pra loja de caridade. Pois bem. A imagem durou até ele tirar Macklemore da sua turnê americana.

O rapper foi retirado das aberturas dos shows de Sheeran depois de usar o palco pra fazer uma manifestação pró-Palestina durante as apresentações. Sem comunicado detalhado, sem muita explicação. Só a saída.

O problema é que “bom moço” é uma imagem que funciona enquanto ninguém precisa que você tome uma posição. Quando chega a hora, o silêncio cobra um preço.

A reação online foi imediata. Fãs que nunca tinham ouvido falar de Macklemore passaram a ouvir Macklemore. Quem defendia Sheeran argumentava que artistas de abertura têm obrigação de manter o foco no show, não usar o palco do contratante pra ativismo. Quem atacava dizia que o cantor britânico simplesmente puniu alguém por falar de Gaza.

Ninguém comentou muito, mas Sheeran é um dos compositores mais vendidos de todos os tempos: mais de 120 milhões de discos e mais de mil semanas nas paradas americanas. Essa escala toda e a pessoa mais polêmica da situação acabou sendo ele.

Macklemore, por sua vez, anunciou que vai doar US$ 1 milhão para ONGs pró-Palestina após a saída da turnê. É o tipo de movimento que transforma uma demissão em campanha. Uma estação de rádio na Irlanda já retirou as músicas de Sheeran da programação em protesto.

Vou falar uma coisa: a crise toda não veio do que Sheeran fez ou deixou de fazer na política. Veio do contraste com tudo que ele vendeu sobre si mesmo. Quando você passa anos sendo o cara inofensivo que agrada a todo mundo, qualquer decisão que exclua alguém parece maior do que é.

A fama de bom moço cobrou a conta em forma de trending topic.