O governo dos Estados Unidos pediu ao senador Flávio Bolsonaro que removesse da sua carta de pronunciamento o trecho em que ele se declarava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A informação foi publicada pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e confirmada por Valdo Cruz, da GloboNews, e Patrícia Vasconcellos, do SBT News.
A lógica americana era simples: manter o trecho original poderia dar a entender que Washington estava reconhecendo Flávio como presidente eleito do Brasil. Assessores do Departamento de Estado ouvidos pelos jornalistas disseram que isso criaria um problema diplomático sério com o governo brasileiro.
Ou seja: o senador chegou ao exílio com uma carta e saiu com outra. O ajuste, segundo aliados de Flávio, foi descrito apenas como uma “revisão de redação”. Revisão pedida por país estrangeiro, mas tudo bem.
O constrangimento tem uma camada a mais quando você percebe que a autoproclamação não sobreviveu nem à leitura do andar de cima. Não foi a imprensa, não foi a oposição, foi o próprio governo americano que sinalizou: esse trecho não fica.
Ninguém comentou muito, mas o fato é que a carta mais comentada da semana foi editada a pedido de outro país antes de chegar ao público. Isso é novo em vários sentidos.
Aliados do senador insistem que a mudança não teve peso político. O problema é que a formulação “líder”, que teria substituído “presidente eleito”, diz uma coisa bem diferente, e Washington claramente sabia disso. A preocupação registrada pelos diplomatas era exatamente que o texto original soasse como aval norte-americano à autoproclamação, o que comprometeria as relações com Brasília.
A carta ainda circula, o brasão ainda chamou atenção nas redes, e o teor segue sendo debatido. Mas o detalhe que ficou foi esse: Flávio Bolsonaro precisou de uma segunda opinião antes de se proclamar presidente de qualquer coisa.
Ser editado pelo Departamento de Estado americano é o tipo de revisão que não entra no currículo.






