Dave Grohl subiu ao palco do Rock in Rio nesta sexta-feira, 5 de setembro, mascando chiclete e cantando o show inteiro. Isso pode parecer detalhe, mas para quem acompanha a trajetória vocal dele nos últimos anos, é quase uma declaração de sobrevivência.
O Foo Fighters abriu com “All My Life” e seguiu num ritmo que alterna peso e respiro com uma precisão de banda que já fez isso seis vezes no Brasil. Rotina vencedora. A performance foi segura, calculada no bom sentido, sem os deslizes que o histórico médico de Grohl justificaria temer.
O otorrino do cara provavelmente não aprova a técnica do chiclete, mas o público não reclamou.
Em relação ao show do The Town de 2023, o setlist ganhou “Wheels” e “Marigold”, duas baladas que equilibraram o show quando o estádio precisava respirar. “Marigold” foi escrita pelo próprio Grohl e apareceu originalmente no disco “Pocketwatch”, antes do Foo Fighters existir. Estar no set agora tem um peso diferente.
“Aurora”, do álbum “There Is Nothing Left to Lose”, foi o momento mais emocionante da noite. A música, dedicada ao baterista Taylor Hawkins, era a favorita dele. Hawkins tocou no Foo Fighters de 1997 até 2022, quando morreu. Cada vez que a banda toca essa faixa ao vivo, é o tipo de coisa que para o show de um jeito que nenhum riff consegue.
Na bateria, Ilan Rubin, que entrou em 2025 após a saída de Josh Freese, cumpriu bem a função. Correto, sólido, sem tentar ser o que não é. Considerando o peso simbólico que o posto carrega depois de Hawkins, isso já é bastante.
Ninguém comentou muito, mas Dave Grohl aos 57 anos soando assim, num festival ao ar livre, depois de tudo que passou, é o tipo de coisa que merecia mais atenção do que a discussão sobre quem vai ao camarote. O cara foi lá e fez o trabalho.
Seis visitas ao Brasil e a banda ainda sabe exatamente quando apertar e quando soltar. Isso é experiência. Ou é o chiclete fazendo efeito.






