Malévola Alves e Bruna Mercatelli desembarcaram no Brasil na noite de quinta-feira (22/10) depois de cumprirem custódia no Egito, e foram direto explicar o que aconteceu. Em entrevista ao portal LeoDias, as duas rebateram a percepção de que os homens abordados nos vídeos gravados nas ruas de Alexandria estavam constrangidos.
“Em todos os momentos, todos os homens que participavam dos vídeos estavam de acordo com tudo que estava acontecendo”, garantiu Bruna. Malévola foi na mesma linha: disse que viaja com frequência para o Oriente Médio e Ásia e que o conteúdo era focado em entretenimento. “Eu gravava vídeos dançando, brincando, que pra gente é normal, mas para eles podem ter sido vistos como um desrespeito”, reconheceu.
O estopim da abordagem policial foi um vídeo em que Bruna beijou um homem na rua. A partir daí, as autoridades decidiram revisar o material gravado no fórum local. As influenciadoras foram levadas a um prédio onde, segundo elas, ficaram em uma sala fechada cercadas por dezenas de agentes, todos homens.
Malévola descreveu o momento com detalhes que passam longe do tom de aventura digital: “Eu fiquei com medo de ser estuprada, gente, porque não tinha uma mulher, não tinha ninguém lá, só homens. Eles pegaram o notebook, viraram e colocaram todos os vídeos pra gente assistir.” Assistir ao próprio conteúdo sob vaias de policiais é literalmente o pesadelo que nenhum briefing de viagem cobre.
Além da pressão psicológica, as duas denunciaram conduta transfóbica durante a abordagem. “Acho que nada justifica o tratamento como a gente foi tratada, como lixos, como animais e como homens, né? Que eles viam a gente como homem, mas no final queriam colocar a mão na gente”, disse Malévola.
As duas foram liberadas com suporte diplomático e voltaram sem registro criminal. A versão delas sobre o consentimento dos participantes dos vídeos segue em aberto porque, até agora, os homens que aparecem nas gravações não falaram publicamente. A internet está esperando.






