Bethânia lança álbum ao vivo com 46 músicas e 38 faixas

Bethânia lança álbum ao vivo com 46 músicas e 38 faixas

Maria Bethânia lançou ontem, sexta-feira, 6 de novembro, o álbum ao vivo “60 anos de carreira”, registro do show comemorativo das seis décadas de trajetória da cantora. São 46 músicas em 38 faixas, um daqueles trabalhos que já chegam ocupando espaço na estante e no tempo livre de quem resolve ouvir tudo de uma vez.

A gravação foi feita em duas noites no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, em 17 e 18 de janeiro. Na apresentação do dia 18, a pista ficou com o público mais perto do palco, e isso aparece no som: o álbum carrega aquele calor de plateia que não dá para fingir no estúdio, por mais caprichada que seja a produção.

O detalhe mais curioso é que este é o primeiro álbum de Bethânia em cinco anos, depois de “Noturno”, lançado em 2021. Nunca ela ficou tanto tempo sem soltar um disco desde que começou a carreira fonográfica, em 1965. Olha o nível do intervalo. Em tempos de algoritmo faminto e música em pingos, Bethânia apareceu com um registro que parece ter vindo com prazo próprio.

A capa também chama atenção. Em vez de seguir o caminho seguro da foto bonita, o álbum traz a pintura “A descida do Corcovado ou Ogum”, de Flávio Império, cena que conversa com a história da artista e com o repertório do show. A imagem já tinha aparecido na capa do single “Vera Cruz”, então existe ali uma sensação de déjà vu, mas com pedigree.

O lançamento físico já tem destino mais concreto: a Biscoito Fino confirmou a edição em CD duplo, com previsão de chegada ao site da gravadora e às lojas ainda neste ano de 2026. Já o LP continua no campo das possibilidades, porque seriam necessárias duas ou três bolachas para comportar a duração total de 83 minutos. “60 anos de carreira” não parece álbum, parece mudança de endereço.

Na parte musical, o registro preserva as músicas inéditas que entraram no roteiro da turnê, como “Balangandã”, “Palavras de Rita”, “Se não te vejo” e “Vera Cruz”. Fica de fora, no entanto, a quinta novidade, “Eu mais ela”, de Chico César, que saiu do repertório ao longo da turnê e nem apareceu nos dois dias de gravação.

O resultado final é um álbum que entrega volume, memória e presença. Bethânia faz o que costuma fazer melhor, transforma gravação em acontecimento. E, sinceramente, tem coisa que entra na rolagem com pressa e tem coisa que pede tempo. Esse disco pede tempo, cadeira boa e um pouco de reverência. “60 anos de carreira” é o tipo de lançamento que faz o streaming parecer pequeno.