Em algum momento de 2018, três adolescentes de Jaboatão dos Guararapes se juntaram, escreveram um brega funk, pegaram um celular e gravaram um clipe. Maquiagem neon, bordão incompreensível, produção zero. Resultado: uma das músicas mais tocadas daquele ano no Brasil inteiro.
O trio era Paloma Roberta, a MC Loma, e as irmãs Mariely e Mirella Santos, as Gêmeas Lacração. As três moravam na Região Metropolitana do Recife e, naquela noite, não estavam exatamente planejando virar fenômeno nacional.
Mas “Envolvimento” foi exatamente isso. O “Cebruthiúúss” que ninguém sabia escrever e todo mundo gritava é o tipo de coisa que só acontece quando a música acerta num nervo que nem o algoritmo sabia que existia.
A letra tinha até aviso embutido: “esse hit é chiclete e na tua mente vai ficar.” Ficou. E o mais irônico é que a frase soou menos como promessa e mais como ameaça, dependendo de quantas vezes você acordou cantarolando sem querer.
Em poucos dias, a música já tinha saído da periferia do Recife e chegado em Anitta. A velocidade com que “Envolvimento” se espalheu em 2018 dizia muito sobre o que a internet brasileira queria consumir e que a indústria ainda não tinha percebido direito: brega funk com atitude, vindo de onde ninguém esperava.
Vou falar uma coisa: produção caseira gravada no celular não era desvantagem. Era o ponto. A ausência de polimento tornava tudo mais colável, mais compartilhável, mais “olha isso que eu achei”.
A série “20 hits em 20 anos”, disponível no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, revisita esse e outros momentos que definiram o que a música popular brasileira virou nas últimas duas décadas. O episódio sobre “Envolvimento” está lá, e a MC Loma ainda sabe o que fez.
Três amigas, um celular, uma make neon e um bordão que ninguém sabia soletrar. A internet nunca teve chance.






