A rapper carioca Amanda Sarmento lança seu primeiro álbum, “Eclipse”, nesta sexta-feira, 19 de junho. O projeto foi gravado com produção de Iuri Rio Branco e transita entre rap, trap e R&B de um jeito que parece calculado, não acidental.
Num cenário onde todo artista jovem tenta caber em três gêneros ao mesmo tempo e acaba não soando bem em nenhum, Amanda faz isso funcionar. O álbum usa o eclipse como metáfora de busca: a luz que some, a luz que volta, o que fica no meio tempo. Poético? Sim. Mas o som sustenta a imagem, o que já é mais do que a maioria dos conceitos bonitos entregam na prática.
Iuri Rio Branco na produção é um dado relevante aqui. O produtor tem histórico de trabalhar com artistas que querem soar densos sem perder acesso, e isso aparece em “Eclipse”. As faixas carregam batidas de trap sem abrir mão de melodia, e o R&B aparece como camada, não como fantasia colada em cima do rap.
Amanda Sarmento é compositora além de intérprete, o que explica por que as letras têm peso próprio. Vou falar uma coisa: estreia com álbum autoral em 2026, quando o mercado de streaming recompensa quem lança single a cada três semanas, é uma escolha com argumento. Ela apostou no formato longo quando a lógica do algoritmo pede exatamente o contrário.
A data escolhida, 19 de junho, sexta-feira, segue o padrão internacional de lançamentos musicais. O que não é padrão é aparecer com um projeto inteiro, coeso, produzido por alguém com credencial, logo na estreia.
Primeira vez e já com produção assinada. O eclipse virou álbum antes de virar desculpa.






