Clara Souza, estudante de Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral, no Ceará, apresentou um TCC sobre dois dos casos mais chocantes da história criminal brasileira e voltou pra casa com nota máxima. E com o nome estampado nas redes sociais por motivos que ela provavelmente não esperava.
O trabalho analisa os casos de Elize Matsunaga, condenada pela morte e esquartejamento do marido Marcos Matsunaga em 2012, e de Eliza Samudio, assassinada em 2010 a mando do goleiro Bruno. A frase escolhida pra abrir a monografia foi: “Antes Elize do que Eliza”. E foi isso que fez o post viralizar antes de qualquer pessoa perguntar o que estava escrito no restante do documento.
Clara explicou ao g1 que a frase aparece entre aspas no título porque reproduz uma expressão que circula com frequência no TikTok. “A frase sobre Elize e Eliza está entre aspas [no título]. Não é uma fala minha, não fui eu que disse isso. É algo que vem sendo repetido no TikTok com frequência”, disse ela. A intenção era justamente problematizar esse tipo de comentário, não endossá-lo.
Só que internet sendo internet, muita gente reagiu ao título sem chegar nem na segunda linha. Os comentários foram na linha de “como uma universidade aprova isso” e “que absurdo escolher essa frase”, vindos de pessoas que claramente não leram além do print.
Vai dizer que é a primeira vez que um trabalho acadêmico sobre mídia e crime recebe mais julgamento moral do que leitura de verdade.
O detalhe que ficou um pouco enterrado na repercussão: a banca avaliou o conteúdo completo e deu nota máxima. Então, enquanto a internet debatia o título, os professores leram a monografia inteira e aprovaram sem ressalva.
Clara saiu da defesa com aprovação total e um viral que nenhum orientador consegue prever no cronograma.






